A taxa de condomínio subiu quase o dobro da inflação. Fomos ver para onde foi o dinheiro

Entre 2023 e 2026, a taxa de condomínio das mesmas unidades subiu 24% nos prédios que acompanhamos. O custo para manter esses prédios funcionando subiu 27%. A inflação oficial do período ficou perto de 14%.

Quem paga a cota sentiu isso antes de qualquer índice confirmar. Os números abaixo saem da base da Mycond: boletos emitidos e contas efetivamente pagas por condomínios da nossa carteira, comparando os mesmos meses de cada ano. Dado de quem emite o boleto e paga a conta de luz, sem pesquisa de opinião no meio.

Resumo rápido

  • O custo dos condomínios subiu 27% em três anos. O IPCA, cerca de 14%.
  • A folha de funcionários próprios subiu só 8%. Portaria e limpeza terceirizadas subiram perto de 60%.
  • A inadimplência ficou estável, perto de 12% das cotas.
  • A maior linha de custo hoje é a operação da portaria, e é nela que está a maior margem para economizar.
Gráfico comparando a inflação oficial de cerca de 14% com a alta de 24% na taxa de condomínio e de 27% no custo do condomínio entre 2023 e 2026
Variação acumulada entre 2023 e 2026. Fonte: condomínios da carteira Mycond; IPCA/IBGE.

O condomínio tem a própria inflação

O IPCA mede a cesta de uma família: comida, transporte, aluguel, remédio. O condomínio compra outra coisa. Compra folha de pagamento, contrato de portaria, água da bomba e da piscina, seguro do prédio, manutenção do elevador.

Quando esses itens sobem mais rápido que o arroz e a gasolina, a cota sobe acima do IPCA. O índice continua certo para o que ele mede. Só que ele não foi feito para medir o seu prédio, e usar o IPCA como teto de reajuste na previsão orçamentária é o caminho mais curto para chamar taxa extra no meio do ano.

Para onde foi o dinheiro

Separamos as despesas pagas em grupos e comparamos janeiro a setembro de 2023 com o mesmo período de 2026. Obras, fundo de reserva e transferências ficaram de fora, porque dependem de decisão de assembleia e distorcem qualquer comparação.

Gráfico de barras com a variação de cada despesa do condomínio entre 2023 e 2026: seguro +87%, limpeza terceirizada +62%, portaria e segurança terceirizadas +58%, gás +25%, manutenção +23%, água +23%, administração +11%, folha própria +8% e energia estável
Variação das despesas pagas, jan–set 2023 vs jan–set 2026. Fonte: carteira Mycond.

Duas linhas fogem do que a gente esperaria. A energia ficou praticamente parada em três anos (alta de 0,3%). Em vários condomínios da carteira a energia solar já aparece como despesa própria no plano de contas, e troca de lâmpada por LED virou item de manutenção comum. Não dá para separar o peso de cada coisa, mas o efeito está no gráfico.

O seguro foi para o outro extremo e quase dobrou (+87%). Pesa pouco no total, cerca de 1% do custo, mas é aquele aumento que passa batido porque a apólice renova sozinha. Se o seu condomínio não faz cotação nova há dois anos, provavelmente está pagando a mais.

A água subiu 23% e já responde por 13% do custo. É a terceira maior linha do condomínio, atrás apenas da portaria e da folha.

O síndico segurou a folha. A terceirização engoliu a economia

Esse é o dado que mais chamou nossa atenção. A despesa com funcionários próprios subiu 8% em três anos, abaixo da inflação. Em 65% dos condomínios, essa linha cresceu menos que o IPCA. Quem passou por assembleia nesse período sabe como: corte de hora extra e vaga que não foi reposta quando alguém saiu.

No mesmo período, portaria e segurança terceirizadas subiram 58%. Limpeza terceirizada, 62%. Juntas, eram 24% do custo do condomínio em 2023 e chegaram a 30% em 2026. Hoje pesam mais que toda a folha própria.

Gráfico mostrando que funcionários próprios caíram de 21% para 18% do custo do condomínio, enquanto portaria, segurança e limpeza terceirizadas subiram de 24% para 30% entre 2023 e 2026
Peso de cada grupo no custo total. Fonte: carteira Mycond, jan–set de cada ano.

A leitura mais provável é que parte dos condomínios trocou funcionário registrado por empresa. Faz sentido no papel: some o risco de ação trabalhista, some a dor de cabeça com férias e rescisão. Mas o contrato chega com reajuste próprio e com a margem da empresa embutida no preço. A economia da folha foi parar na fatura do terceirizado.

E cortar gasto, no fim, funcionou para poucos. Só 37% dos condomínios fecharam o período com custo total abaixo da inflação. Dois em cada três não conseguiram.

E a inadimplência?

Com a cota subindo tanto, esperávamos ver a inadimplência disparar. Não foi o que aconteceu na nossa carteira. A fatia de cotas não pagas em até 30 dias ficou perto de 12% em 2024, 2025 e 2026, com picos em fevereiro e no fim do ano. Em valor, o que fica sem pagar gira em torno de 7%.

O número bate com o levantamento nacional da uCondo, que registrou 12,5% de inadimplência no primeiro semestre de 2026. Estável, porém, não quer dizer confortável. Num prédio de 40 unidades, 12% são cinco apartamentos sem pagar todo mês, e quem cobre o buraco são os outros 35.

O que dá para mexer na previsão de 2027

Novembro e dezembro são os meses de fechar orçamento e encarar a assembleia (e de revisar o checklist de rotina do síndico). Pelos números acima, estes são os lugares onde o síndico tem mais margem.

Comece pela portaria

É a maior linha do custo e a que mais cresceu. Antes de renovar o contrato, vale contar quanto do tempo do porteiro vai para tarefa repetitiva: abrir o portão para morador conhecido ou liberar visitante que já estava autorizado. Boa parte disso pode ser automatizada com controle de acesso integrado ao app do condomínio. Cada hora de posto a menos é dinheiro que volta para o caixa.

Tire as encomendas do balcão

Em prédio grande, encomenda virou trabalho de tempo integral. Receber, registrar, fotografar, avisar o morador, cobrar a retirada, achar o pacote que ninguém lembra onde foi parar. Com mensageria com IA, a encomenda é registrada por foto e o morador recebe o aviso no WhatsApp sem ninguém digitar nada.

Cote o seguro de novo

Com alta de 87% em três anos, a renovação automática quase nunca é o melhor preço. Três cotações levam uma tarde.

Leve números para a assembleia

Reajuste precisa passar pela assembleia. O Código Civil, no artigo 1.350, manda aprovar o orçamento e as contribuições dos condôminos em reunião anual. Em Fortaleza, um morador conseguiu anular na Justiça um aumento de 20% feito sem assembleia e recebeu de volta o que pagou a mais. Mostrar linha por linha onde o custo subiu (como nos gráficos deste artigo) reduz a briga e ajuda a manter a inadimplência baixa.

Quer saber quanto a portaria do seu condomínio pode economizar?

A Mycond automatiza a portaria e a mensageria do condomínio com IA. Controle de acesso integrado, registro de encomendas e aviso automático ao morador, para o posto da portaria trabalhar no que precisa de gente.

Quero ver no meu condomínio

Perguntas frequentes

Quanto a taxa de condomínio subiu nos últimos anos?

Nos condomínios da carteira Mycond, a taxa das mesmas unidades subiu cerca de 24% entre 2023 e 2026. No mesmo período, o IPCA acumulou perto de 14%. O Censo Condominial da uCondo encontrou movimento parecido no país: a taxa média nacional foi de R$ 413 em 2022 para R$ 516 no primeiro semestre de 2025.

Por que a taxa de condomínio sobe mais que a inflação?

Porque o condomínio gasta com coisas diferentes das que o IPCA mede. A maior parte da cota vai para pessoal, contratos de portaria e limpeza, água, manutenção e seguro. Esses itens têm reajuste próprio, ligado a dissídio e a tarifa pública. Quando sobem mais rápido que a cesta de consumo das famílias, a cota acompanha. Nos dados da Mycond, os contratos terceirizados de portaria e limpeza foram os que mais puxaram a alta.

O síndico pode aumentar a taxa sem assembleia?

A regra é que não. O artigo 1.350 do Código Civil determina que a assembleia aprove, todo ano, o orçamento das despesas e as contribuições dos condôminos. A convenção pode detalhar a forma, mas o reajuste ordinário precisa passar pela coletividade. Já houve decisão judicial anulando aumento feito sem assembleia e mandando devolver ao morador o valor cobrado a mais.

Terceirizar a portaria fica mais barato?

Depende do contrato e de como ele é reajustado. Terceirizar tira do condomínio o risco trabalhista e a gestão de férias e faltas, mas o preço inclui encargos e a margem da empresa. Nos condomínios que acompanhamos, a despesa com portaria e segurança terceirizadas subiu 58% em três anos. Antes de renovar, vale medir quanto do trabalho do posto pode ser automatizado.

A inadimplência nos condomínios está aumentando?

No país, sim. A uCondo registrou 12,5% de cotas atrasadas há mais de 30 dias no primeiro semestre de 2026, o maior índice da série iniciada em 2022. Na carteira Mycond, o índice ficou estável, perto de 12%, entre 2024 e 2026. Os meses de maior atraso costumam ser fevereiro e o fim do ano, quando o orçamento das famílias aperta.

Como reduzir a taxa de condomínio sem cortar serviço?

O caminho mais eficiente é atacar as maiores linhas de custo, e não cortar no varejo. Hoje, portaria e limpeza terceirizadas somam cerca de 30% do custo. Automatizar acesso e recebimento de encomendas reduz horas de posto sem tirar a segurança. Cotar o seguro todo ano e acompanhar o consumo de água também ajudam a segurar o reajuste.

Como fizemos este levantamento

Usamos dados anônimos e agregados de condomínios da carteira Mycond, sem identificar nenhum condomínio. A variação da taxa compara as mesmas unidades, jan–ago de 2023 e de 2026. A variação de custo compara despesas efetivamente pagas, jan–set de cada ano, em condomínios com registro em todos os meses; obras, fundo de reserva e transferências ficaram de fora. A inadimplência considera cotas não pagas em até 30 dias após o vencimento. IPCA: IBGE, acumulado aproximado do período.

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