Adaptando condomínios para carros elétricos

O preço do combustível não para de subir no Brasil, o que tem feito com que  a população busque outras alternativas. Entre elas estão desde as soluções mais baratas como uso de bicicletas e transporte público até as que precisam de maior investimento, a exemplo dos carros elétricos e híbridos.

Por ser ainda uma novidade no mercado brasileiro, muitas dúvidas surgem para aqueles que podem e desejam investir nos veículos que não precisam de combustíveis fósseis. A principal delas é a forma de recarga dos carros elétricos. Você sabia que os condomínios podem disponibilizar pontos de recargas? Esse é o assunto desta postagem.

Mercado de elétricos

Por ser uma tendência cada vez mais crescente, tendo em vista a demanda da população, o mercado de veículos elétricos ainda vai evoluir e esses modelos serão cada vez mais populares nas ruas. Os dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, já demonstram essa crescente. As vendas de veículos eletrificados no Brasil bateram novo recorde em 2020, com aumento de 66,5% nos emplacamentos em relação a 2019.

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Pensando nessa evolução, é muito importante que construtoras e incorporadoras de condomínios prevejam em seus projetos elétricos a estrutura necessária para adequar uma estação para recarga de carros elétricos.

Alguns estados brasileiros já deram o pontapé em relação a essa adaptação. A cidade de São Paulo, por exemplo, aprovou uma lei que determina que todos os novos prédios comerciais e residenciais da cidade construídos após 31 de março de 2021 tenham pontos de recarga para veículos do tipo. O PROJETO DE LEI 01-00346/2017, que altera a Lei n° 16.642 sobre o Código de Obras e Edificações, foi sancionado pelo prefeito Bruno Covas em 2020 e entrou em vigor no dia 31 de março de 2021. 

Como os carregadores podem ser implantados nos condomínios?

Por falta de informação, muitos moradores têm medo de que a recarga de carros elétricos dentro do condomínio acabe aumentando demais a conta de energia ou até mesmo causando sobrecargas elétricas, mas não é bem assim.

A primeira coisa é entender que nem todo prédio está pronto e a depender da idade do imóvel, instalar carregadores pode ser desafiador, mas não é impossível.

A implantação desse tipo de carregador deve obedecer 4 fases, sendo elas a fase de análise de disponibilidade de potência, a realização do projeto elétrico, a realização de adequação civil e elétrica e finalmente a instalação dos carregadores.

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Para a instalação dos carregadores o ideal é que eles sejam ligados em uma rede de 380 volts trifásica, que é mais comum em prédios industriais e comerciais. Mas segundo especialistas, os carregadores funcionam bem se ligados em uma rede de 220 volts bifásica, mais comum em prédios residenciais. 

Com os carregadores já instalados, é preciso contar ainda com um sistema de carregamento dos carros elétricos e híbridos que funciona através de software. Ele normalmente rateia o consumo entre as pessoas que realmente utilizam o serviço nos carros. A depender do sistema contratado, os condôminos ainda podem conseguir acionar a tomada pelo seu smartwatch. E em condomínios mais modernos já é possível ligar o carregador direto no relógio do proprietário.

A decisão precisa passar por assembleia?

Toda e qualquer decisão do tipo tem que ser discutida em assembleia, ainda mais neste caso que vai representar um custo para o condomínio, ou seja, para todos os moradores. Mesmo que o prédio tenha as condições para ter um carregador instalado, mas não queira custear, o morador não pode fazer a instalação individual sem a permissão do local.

A assembleia irá determinar sobre a instalação ou não e também qual modelo e quantos pontos serão instalados, definir horário de uso (caso tenha poucos carregadores), etc.

E se a assembleia não aprovar a instalação de pontos de recarga? A sugestão de especialistas é utilizar carregadores portáteis, de menor capacidade e que, geralmente, acompanham de fábrica os veículos. Lembrando que até mesmo esses carregadores portáteis dependem de tomadas adequadas – na tensão correta e aterradas. Caso não haja uma disponível, o morador vai precisar arcar com o custo de instalação e ainda vai pagar o valor extra da energia que utilizar a mais.

Qual o custo da instalação dos carregadores elétricos?

O custo da instalação dos carregadores elétricos vai depender de diversos fatores. Entre os principais está a distância entre o carregador e a quantidade de energia, o que pode fazer o preço variar.

Segundo reportagem da UOL, o carregador semirrápido pode custar entre R$ 7 mil (valor cobrado pela chinesa BYD, incluindo os custos de instalação) e R$ 8 mil (modelo “i Wallbox Pro”, fornecido pela BMW). A Electric Mobility, empresa homologada pela Volvo para atender a clientes do XC90 Hybrid (e que também atende proprietários de elétricos e híbridos de outras marcas), tem carregadores com preços entre R$ 7,5 mil e R$ 8,5 mil.

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Em alguns casos existe a necessidade de mudança da estrutura elétrica do imóvel e da caixa de energia. A Electric Mobility informa que cobra de R$ 800 a R$ 5,3 mil, aproximadamente, para instalar o ponto de recarga, a empresa oferece vistoria e orçamento sem custos a clientes Volvo. Mas há relatos de instalação por apenas R$ 100.

Vantagens

Para além do benefício ao morador que possui carro elétrico, a instalação de carregadores em condomínios pode ser muito benéfico para o imóvel, pois acaba agregando valor e provocando valorização.

Por exemplo, se o condomínio for ganhar um novo morador, e este possuir um carro elétrico ou híbrido, ter um ponto de carregamento no próprio condomínio pode ser um fator decisivo na hora de alugar ou comprar um apartamento no local.